Vamos falar de orgasmo feminino!

Ver estrelas, subir pelas paredes, revirar os olhos de prazer. Nos filmes e nas revistas, chegar ao orgasmo não só parece algo fácil, como também parece uma experiência extracorpórea. De fato, “chegar lá” significa perder o controle do corpo por alguns minutos. Mas a técnica requer prática e bastante habilidade.

 

Nada que um pouco de diálogo com o(a) parceiro(a), conhecimento do próprio corpo e uma mente desprovida de preconceitos entre quatro paredes não possa resolver. No entanto, a despeito da revolução sexual e de todas as conquistas femininas das últimas décadas, muitas mulheres ainda sofrem para decifrar os enigmas do prazer.

 

Sexo prazeroso começa bem antes da cama: quando se agrada a mulher desejada. Existem aquelas que conseguem ter orgasmo sem nem tocar no parceiro, só com as fantasias.

O prazer máximo não se restringe aos órgãos genitais. É uma sensação que toma o corpo todo e começa no cérebro, pelo desejo estimulado pelos órgãos dos sentidos e pela imaginação.

 

O que ajuda mesmo é o quanto a mulher está entregue à relação, relaxada. Quanto mais ela se desligar do mundo externo, mais facilmente chegará lá.

 

Um terço das brasileiras nunca atingiu o orgasmo por penetração nem por autoestimulação, outro um terço alcança o vaginal e o clitoridiano, e um terço restante não consegue sentir esse ápice dentro da vagina. Embora não se sintam satisfeitas, a grande maioria não fala a seus parceiros.

 

As mulheres de hoje se envolvem com diversas coisas, o que dificulta se desligarem no sexo. O orgasmo acontecerá quando ela estiver descansada e envolvida, é consequência de se concentrar nas carícias que está recebendo e fazendo.

 

O buraco é mais embaixo

Tratada muitas vezes como uma questão secundária, a dificuldade de chegar ao orgasmo pode até parecer uma coisa à toa, mas é preciso ficar atenta, pois, a longo prazo, pode comprometer o bem estar da mulher, sua autoestima e a relação com o(a) parceiro(a).

 

É importante observar a frequência com o a qual se atinge o clímax. “Se a mulher percebe que em um período de seis meses não atingiu o orgasmo nenhuma vez, ou poucas vezes, deve procurar ajuda, pois pode estar com um quadro de anorgasmia, uma disfunção sexual”, explica a psicóloga especialista em sexualidade, Juliana Bonetti.

 

De acordo com Juliana, ser feliz no sexo não é só uma questão de prazer, é uma questão que também traz benefícios à saúde feminina. “O ato sexual regula hormônios variados ligados ao bem-estar, entre eles a dopamina, a ocitocina, o cortisol, o estrogênio e a testosterona. Manter uma vida sexual regular pode rejuvenescer a aparência devido ao aumento do nível de estrogênio”, observa.

 

Confira os fatores psicológicos ligados à questão.

Histórico pessoal e familiar: mulheres que vêm de uma educação muito rígida, que prega que o sexo é uma coisa suja, podem ter maiores dificuldades na cama. “Ela já começa a relação achando que está fazendo algo errado, ainda que inconscientemente. Ela não se permite se entregar a essas sensações”.

 

Falta de diálogo: se para a mulher já é difícil conhecer o próprio corpo, para o homem é mais ainda. Por isso, conversar sobre as preferências é fundamental. “Ter uma vida sexual e satisfatória significa ambos estarem bem e felizes. Para tanto, é importante que mantenham um bom canal de comunicação e entendimento íntimo e sexual”, ressalta Juliana.

 

Perfil controlador: mulheres que têm o hábito de controlar tudo também podem ter dificuldade durante a relação sexual. No sexo, é preciso se deixar levar pelas sensações e pelas fantasias, e algumas mulheres não conseguem sair da realidade.

 

Falta de confiança no parceiro: outro empecilho neste sentido é a desconfiança – se a mulher não está 100% segura com o parceiro, a dificuldade em se entregar é muito maior. O orgasmo é a perda do controle, você sai um pouco de si. Algumas mulheres têm dificuldade de se entregar a isso quando não confiam plenamente no parceiro.

 

Desconhecimento do próprio corpo: a mulher que não se toca, não se conhece, não sabe que região do corpo dá prazer.

 

Transferir toda a responsabilidade para o parceiro: a mulher é responsável pelo seu prazer. Muitas vezes ela deixa na mão do homem e ele não conhece tanto assim a mulher, por isso é importante que ela se conheça pra ensinar o parceiro. Tem que existir parceria, conversar sobre a sexualidade principalmente.

 

Fazer sexo só para agradar o parceiro: muitas mulheres ainda fazem sexo para satisfazer a vontade do homem unicamente, e não ela própria. Muitos ejaculam rápido, outros, não se dedicam às preliminares. Isso tudo contribui para que a vida sexual da mulher não seja satisfatória.

 

MITOS E VERDADES

Não caia no conto da Carochinha, conheça os mitos e verdades

 

Qualquer pessoa pode ter orgasmo
Verdade. Para chegar ao clímax sexual, homens e mulheres precisam, basicamente, ter seus níveis de hormônios equilibrados, além de estar bem resolvidos emocionalmente. O orgasmo é da natureza humana e é um facilitador da fecundação. Sem orgasmo, seria mais difícil a preservação da espécie. O que dispara um orgasmo, tanto feminino quanto masculino, é a excitação máxima. Na mulher, atingir esse clímax pode levar mais tempo. Em compensação, a sensação delas tende a se prolongar mais do que a do homem.

Qualquer pessoa pode ter orgasmos múltiplos
Mito. As mulheres que conseguem gozar mais de uma vez, na sequência, podem aproveitar essa sensação. Mas não são todas. Os orgasmos múltiplos são um tipo de resposta sexual característica de algumas pessoas, ou seja, é uma particularidade delas, assim como a cor do cabelo ou a estatura. Umas têm, outras não. O que todas as mulheres possuem é a capacidade de, após um orgasmo, manterem a excitação e conseguirem outro, sem ter de parar. Já os homens, após um orgasmo, entram no que se chama de período refratário. Eles precisam de um tempo para ter uma nova ereção.

Mulheres também podem ejacular durante um orgasmo
Há controvérsias. A afirmação ainda é controversa, mas pesquisas científicas já apontaram que algumas mulheres chegam a experimentar essa sensação. A ejaculação feminina geralmente acontece durante orgasmos muito intensos e nada tem a ver com urina, lubrificação ou sêmen. Um estudo de 2011, publicado no Jornal de Medicina Sexual, da Sociedade Internacional para Medicina Sexual, apontou essa diferença. Durante o estudo, os pesquisadores coletaram os fluidos de uma voluntária que liberou duas diferentes substâncias. O que eles consideram como a verdadeira ejaculação feminina é um fluido escasso, espesso e esbranquiçado, que presume-se vir da chamada “próstata feminina”, que nada mais é do que a glândula de Skene. Já o outro líquido liberado por muitas mulheres durante o sexo se assemelha à urina diluída e é proveniente da bexiga. Em um estudo publicado em 2009 pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, 13 mulheres que declaram ejacular com frequência falaram sobre a quantidade de líquido expelido: três delas disseram que a área molhada no lençol tinha o tamanho semelhante a um CD, enquanto as outras declararam liberar uma quantidade bem maior de fluido. Quando se tem um orgasmo, alguns fluidos saem da vagina, mas a ejaculação feminina se diferencia disso.
É possível chegar ao orgasmo sem penetração
Verdade. Tanto homens quanto mulheres podem atingir o orgasmo de outras maneiras, por meio da masturbação ou do sexo oral, por exemplo. Para as mulheres, inclusive, pode ser mais fácil chegar lá nas preliminares, com o estímulo do clitóris, a região mais sensível do corpo feminino. Alguns homens também podem sentir facilidade para gozar na masturbação e não na penetração, quando há uma pressão emocional. Diante do par, pode surgir uma ansiedade gerada por inibição ou insegurança, o que não ocorre na masturbação solitária. Sem contar que muitos treinam demais a masturbação, mas ainda são inexperientes na relação a dois.

Quanto mais preliminares, mais intenso o orgasmo
Mito. Vivenciar muitos ou poucos minutos de preliminares vai depender da vontade do casal. A intensidade do orgasmo é ditada pela excitação e entrega plena ao ato. Porém, o tempo de duração das preliminares não garante isso. As preliminares excitam bastante e uma pessoa excitada está teoricamente mais preparada para mergulhar nos prazeres da relação. Mas também é necessário que a entrega, a confiança e o sentimento de intimidade estejam presentes.

Para ser orgasmo, tem de ser muito intenso
Mito. O que é intenso para uns, não é para outros. E essa análise é muito individual. A percepção da experiência sexual vai depender de vários fatores, pode haver dias em que o orgasmo é intenso e satisfatório e outros dias em que ele não é tanto.

O orgasmo ocorre mesmo quando não há envolvimento afetivo entre o casal
Verdade. Orgasmo tem a ver com tesão, que pode ou não estar associado ao amor. Algumas pessoas afirmam que, quando amam uma pessoa, a relação sexual se torna mais completa. Mas sabemos que é possível experimentar orgasmos intensos quando não há compromisso ou quando a relação é uma aventura.

Um parceiro tem a responsabilidade de dar prazer ao outro
Mito. O par pode facilitar o clímax com a estimulação das zonas erógenas, mas é preciso que cada um conheça o próprio corpo e, além disso, que transite bem pelas próprias fantasias eróticas. Só assim é que cada um dos envolvidos conseguirá chegar ao orgasmo. Quem simplesmente deixa a responsabilidade pelo seu prazer na mão do outro se torna mais vulnerável à frustração.

Para a relação ser satisfatória, tem que ter orgasmo
Mito. De acordo com os especialistas, uma coisa é sentir prazer e outra é ter orgasmo. O prazer está nos beijos, no toque, no erotismo e na troca de carícias. Nesse contexto, o orgasmo será apenas mais um estímulo, que não pode ser visto como fator decisivo para medir a satisfação que uma transa proporciona. Antes do orgasmo, vivenciamos uma fase chamada de platô, que também é muito prazerosa. E cerca de dois terços das mulheres não passam dessa fase.

Orgasmo vaginal e clitoriano são iguais
Verdade. O orgasmo é um só, o que muda é a estimulação. A maioria das mulheres precisa friccionar o clitóris para gozar, mas há as que conseguem chegar lá apenas com a penetração. O fato é que, segundo os especialistas, a sensação de bem-estar, ao final do sexo, será a mesma. Boa parte das mulheres só consegue o orgasmo se estimular o clitóris, mesmo que esteja sendo penetrada.

 

Samantha Feehily

Jornalista, Pós graduada em Comunicação Empresarial e Institucional, Pós graduada em Jornalismo Digital, Pós graduação em Jornalismo Contemporâneo e Mestre em Comunicação. Diretora da Projeta Comunicação Integrada. Foi editora chefe em uma Agência de Comunicação, responsável pelo conteúdo de jornais internos e de e-mail marketing. Foi professora universitária do Centro Universitário Nove de Julho (UNINOVE). Acumula mais de 14 anos de experiência em assessoria de comunicação. É responsável pelo site Arrasa, gata!, um portal de beleza e é apresentadora do Programa Estressadas, um programa de comportamento feminino.

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