Entrevista com tatuador Marco Miranda – Brasília – DF

 

8 anos de profissão, como você avalia o balanço deste tempo de carreira?

Durante maior parte desse tempo tive vários outros focos, chegando até a estudar e trabalhar em outras áreas. Fiz alguns estágios, dei aula de desenho para crianças, de desenho técnico para vestibulandos e até trabalhei com festas.

No final, apesar de ter aprendido muito com essas outras experiências, a área da tatuagem foi a que mais me deu prazer em trabalhar. É extremamente gratificante poder explorar meu lado artístico de forma que eu possa me manter fiel à minha forma de expressão.

Durante os primeiros 6 anos trabalhei com vários estilos de tatuagem: oriental, tribal, aquarela, maori, etc. Foram nesses últimos 3 anos, quando decidi ser tatuador com exclusividade e realmente focar, que eu tive mais vontade de aprofundar e trabalhar área de geometria e pontilhismo.

Esse estilo me atrai bastante pois me possibilita inserir esses conhecimentos passados de ilustração, desenho técnico e interação com o público de uma forma que eu possa manter uma identidade visual que tenha minha cara e idealmente ter aquela coisa de alguém ver meu trampo e pensar ‘Ah, essa aí é do Marco!’. Por isso desde então tenho focado em melhorar essas técnicas e melhor atender meus clientes.

4 anos de arquitetura, pensa em voltar a estudar e terminar a graduação?

Não, por mais que eu não tenha arrependimento algum sobre ter feito o curso. Eu acredito ter conseguido extrair um ótimo conteúdo técnico que eu aplico até hoje nos meus projetos de arte, mas não me identifico com a área de atuação em si.

Esse é o mesmo sentimento que tenho em ter me formado em Design Gráfico. Essas duas áreas tem um conteúdo extenso e uma base ótima para essa questão mais técnica e teórica e me guiaram para o caminho o qual estou hoje, mas para mim existem muitas limitações para a parte artística de fato.

 

Além de tatuar, ter feito quatro anos de arquitetura, você é designer, isso te influência de alguma forma no seu estilo de tatuar?

Sem dúvidas. Qualquer tipo de estudo acaba te agregando algo que influencia diretamente no seu trabalho.

Durante a arquitetura treinei bastante desenho técnico, o que (talvez por lavagem cerebral) me fez gostar muito da parte geométrica de desenhos. Foram incontáveis horas treinando fazer traço reto e um círculo perfeito (no lápis mesmo) para poder apresentar um projeto de planta nos primeiros semestres.

Já no design aprendi mais essa parte teórica de conceitos de percepção visual e criação de uma identidade única. A questão de transformar referências reais em algo único e que expresse minha personalidade.

 

Você está no “ESTÚDIO DANNY TATTOO” a pouco mais de três anos, como a vivência no estúdio agregou para o seu crescimento?

Com certeza agregou bastante! A rotina de um estúdio mudou completamente minha percepção do trabalho. Queria pular de trabalhar em casa para abrir meu próprio estúdio, mas estar em um local de trabalho com alguém mais experiente foi a melhor decisão que poderia ter tomado.

Aprendi técnicas novas, dicas que parecem básicas mas não são sobre como lidar e se portar com clientes e atende-los da melhor forma possível, velocidade de trabalho, manuseamento e escolha de material, entre várias outras coisas.

Acho que estar em um local profissional também me deu a oportunidade de saber quando pegar ou não um projeto e aprender orientar clientes sobre o assunto de forma mais simples e natural. Tudo isso dentro de uma estrutura que realmente deu a abertura para focar apenas em um trabalho bem feito.

Jogo rápido:

4 tatuadores nacionais: Fredão Oliveira, Caio Cruz, Brian Gomes, Frank Carrilho

4 tatuadores internacionais: Nissaco, Michael E.  Bennett, Nik Hylo, Sasha Tabuns

1 livro: Demônio – a Queda

CD: Kill ‘Em All – Metallica

Família: A vida te apresenta.

Brasília: Cidade de interior urbanizada.

São Paulo: Já sou estressado o suficiente. Obrigado.

Tattoo: Estilo de vida e arte.

Uma frase: Perfeição é um caminho a ser trilhado, não uma meta.

 

Geometria e pontilhismo são seus estilos favoritos, quais são as suas inspirações para criar nestes estilos?

Como estudei história da arte duas vezes (por ter largado arquitetura e feito design depois), me interessei bastante por estilos mais abstratos e surreais desde M.C.Escher, Salvador Dalí até referências mais novas como Banksy e La Pandilla. Ver isso aplicado no corpo de tantas formas diferentes por artistas incríveis, para mim, é muito legal. Então meu maior motivador é tentar inovar e levar minha personalidade para um estilo que já esta bem firmado.

Quais outros estilos você tatua, o que mais te chama atenção neles?

Ultimamente tenho focado apenas nesses dois estilos no geral. Gosto de aplicar realismo e ilustração dentro da minha técnica principal de pontilhismo, acredito ser um bom diferencial dentro do estilo por não envolver só reprodução e cria um elemento visual atrativo dentro do todo.

Você irá competir na Brasília Tattoo Festival, quais categorias pretende trabalhar? E qual a expectativa para o evento?

Já ouvi falarem bem e mal, assim como de qualquer evento. Dá um frio na barriga pois nunca participei ou mesmo entrei em uma convenção de tatuagem. Em geral estou indo com o pensamento de fazer o melhor que posso, aproveitar para conhecer pessoas que trabalham na área e aprender o máximo possível com quem já tem mais experiência.

 

Contatos:

Instagram: @marcomirandatattoo
Site: www.marcomirandatattoo.com
Whatsapp – (61) 98137-5684

 

 

Mensagem final:

 

Acho que minha mensagem vai pra quem tem interesse em tatuar: Estudem bastante, valorizem suas experiências e, por mais que pareça clichê, sejam vocês mesmos. Isso fica visível no resultado do projeto e vai conquistar cada cliente que passar por seu trampo.

 

Cremo é Fundador do Portal Wonder Girls Tattoo e do Portal @CULTURAEMPESO. Formado em Redes para Computadores, é fotográfo e desenvolve websites. Página oficial no facebook: www.facebook.com/wondergirlstattoo Instagram: @wondergirlstattoo Perfil: fb.facebook.culturaempesobr

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