Guilherme Bertoncini: fotógrafo especializado em nu artístico

 

 

O bate-papo da vez será com o fotógrafo de 29 anos, Guilherme Bertoncini. Atuando no mercado há mais de três anos, se destacou no mercado por fotografar para grandes revistas de nu artísticos. Vale a pena se inspirar nele…

 

 

O que te trouxe para a fotografia?

Um dia em um passeio no zoológico de SP estava com uma máquina compacta que toda pessoa tem, resolvi tirar uma foto de um animal que estava muito longe e a foto saiu horrível. Decidi naquele momento em comprar uma máquina fotográfica boa. Investi comprando uma máquina DLSR profissional de entrada. Legal, a máquina estava na minha mão, mas eu sabia usá-la? Foi ai que entrei em um curso de fotografia para aprender a usar a máquina e a sintonia entre máquina e homem foi muito forte. Do curso básico e avançado fui para fotografia de eventos, books, curso de edição de imagem e não parei mais de fotografar. Comecei a fotografar amigas, eventos da família e etc e foi ai que eu percebi que poderia ganhar dinheiro com isso. Tornei um hobby, uma profissão que faço com muito amor.

 

Em especial o nu artístico?

Comprei minha primeira Playboy com 13 anos. Então desde garoto tive essa ficção por foto de mulheres nuas, mas nunca imaginei naquela idade que um dia ao invés de estar com a foto finalizada na minha mão em formato impresso, um dia eu iria estar atrás da câmera fazendo o que eu admirava com 13 anos.

Você cita que a sua especialidade é deixar as modelos à vontade, como é isso feito?

Existe uma conversa previa antes, onde definimos o tema do ensaio, locação, roteiro do que iremos fazer para deixar não só a modelo certa do que iremos fazer, mas como também toda a equipe de produção. No dia das fotos precisa rolar uma sintonia, e até mesmo uma química entre todos os participantes; modelo, fotografo, assistente de produção, maquiadora, cabeleireiro. Para que todos se sintam a vontade e não traga um clima ruim para dentro do ambiente. Feito isso, a modelo já ciente do papel dela consegue ficar uns 60%, 70% mais à vontade. Algumas buscam uma ajuda em música ambiente do gosto delas ou que tenha a ver com o tema do ensaio, outras partem para um drink para se soltarem, isso dá uma ajudada. Mas a chave final para ter um trabalho finalizado ótimo é o clímax entre modelo e fotografo, depois dela ver e sentir todo o ambiente, entrar no clima do ensaio a relação entre fotografo e modelo se torna mágico, como uma relação sexual, se esquece de todo o mundo la fora para dar toda atenção para o que está rolando entre os dois. Eu até mesmo brinco com minhas modelos; “Foto é como sexo, primeiro as preliminares, depois começamos com mais roupa para ir tirando aos poucos, até chegar ao nu e depois para finalizar o clímax.” Não sei porque mas grande parte das mulheres se sentem à vontade com essa comparação que faço.

 

A maioria das suas fotos são feitas no seu apartamento, como é deixar cada foto única estando no mesmo lugar?

Quando estou fotografando uma pessoa, o cenário é apenas um complemento. Meu foco, meu objeto, meu assunto, é a pessoa. Independentemente do local, do fundo, do cenário, cada pessoa tem umas expressões; corporais e faciais, cada pessoa tem seu porte físico, cada pessoa se imagina de uma forma diferente em sua mente e tenta transparecer isso em uma pose pra sair na foto. Isso é o que torna a foto única.

 

O nu é um ambiente muito delicado e complexo, você já teve problemas com modelos ou foi taxado erroneamente?

Eu trabalho o nu de forma artística e não de forma pornográfica. Mesmo que no briefing do ensaio eu tenha que expor partes intimas de um modelo eu jamais iria expor de uma forma vulgar, como se estivesse fazendo um exame ginecológico. Por isso nunca tive problemas com isso, grande parte do meu trabalho de nu está guardado para algo verdadeiramente grande, por exemplo fazer uma exposição do meu trabalho em uma galeria de arte e não fica por ai postando em mídias sociais, internet e afins. Meu trabalho de nu artístico não é comercial para sair por ai sendo vendido a toa. Estou esperando a hora certa e o momento certo para abrir esse lado para o mundo. Risos.

 

Você se descreve como Autodidata, mas já participou de workshops? 

Já participei sim de workshops no início do meu aprendizado queria entender melhor como funcionava e como lidar com uma modelo nua dentro de um set ou estúdio e por conta disso fiz um workshop com o fotografo Glauco Filellini que utiliza a própria esposa para posar nua no workshop. Interessante essa quebra de tabu. Depois disso me aventurei produzindo meu próprio workshop e fui entender o outro lado, não como aluno mas sim como organizado e mentor do workshop.

 

Onde você busca inspiração, conhecimento?

Trabalhar com fotografia é trabalhar com imagem, visual e sentimento. Minha inspiração vem de tudo que eu vejo no meu dia a dia. Cenas, cores, situações, filmes, movimentos, de tudo mesmo. Tenho uma memória fotográfica muito forte, se fizer o mesmo caminho duas vezes, no terceiro não preciso mais de orientação ou GPS para chegar no mesmo lugar. E por fim vem o sentimento, o que senti nos últimos dias, o que estou sentido no momento em que estou com a câmera na minha mão, que sentimento quero transmitir na foto, tudo isso serve de inspiração pra hora H de apertar o botão final. Risos.

 

Como você seleciona suas modelos?

Em alguns trabalhos eu já tenho a modelo selecionada pelo cliente. Mas quando sou o responsável por escolher a modelo, não escolho pela “beleza” ou pela vontade da modelo em posar para mim. Hoje por conta das redes sociais, quando quero uma modelo diferente, faço uma postagem e o que mais me aparece é modelos lindas colocando “Dips.” Mas lembrando, rede social… Alguma vez essa modelo veio me dar um “Oi, tudo bem? eu sou a fulana, sou modelo quando precisar pode me chamar”. Grande parte das modelos apenas responde “disp” como se eu fosse dar muita atenção. Eu dou atenção e valor pra quem faz o mesmo comigo, voltamos a parte onde falamos sobre química e clima entre modelo e fotografo, precisa existir uma simples intimidade entre os dois, senão não rola… Então se na hora da seleção eu sentir que rolou uma sintonia com determinada modelo pode ter certeza que é ela que irei selecionar e o resultado final será maravilhoso.

 

Fotografia e autoestima da mulher. Qual a relação?

O nu artístico ou um ensaio sensual pra mim não são os maiores tabus dentro da fotografia. O maior tabu mesmo é a relação entre o sentimento da mulher e a imagem que ela mesmo vê dela. Como que isso funciona? Modelo são pagas para trabalhar a imagem delas, então elas têm por “obrigação” manter um certo cuidado com o corpo, alimentação, cuidado com cabelos e pele e por ai vai. Mulheres que não são modelos, não tem essa “obrigação”, então elas não precisam estar com o corpo malhado e em dia, elas não precisam estar impecáveis. Em alguns casos mulheres com a autoestima baixa me procuram como uma forma de fotografar elas e mostrar a elas que existe um lado nelas que elas mesmo não conhecem, buscando aumentar a baixa autoestima. Até mesmo algumas modelos profissionais tem a autoestima baixa e questionam coisas no próprio corpo que realmente não existe… Ai entrar o nosso papel, primeiro usamos uma técnica básica onde escondemos o que é feio e mostramos o que é bonito. Passo 2, toda que qualquer mulher, seja ela alta, magra, gorda, baixa, branca, negra, oriental, enfim, toda mulher tem sua beleza e minha principal função é extrair essa beleza a qualquer custo na foto final. E eu acredito que isso nenhum curso ou equipamento vai ajudar o fotografo, isso já parte para o lado de ter o DOM pra isso, o dom de enxergar a beleza, acredito que isso diferencia as crianças dos homens dentro do mundo da fotografia.

 

Seu grande diferencial?

Meu grande diferencial é a criatividade. Mesmo nos priores cenários ou situações existentes eu tenho que me virar e produzir um trabalho de qualidade. Afinal, fui contratado para isso.

 

Você acredita que o nu está mais banalizado?

Eu acredito que as pessoas estão banalizadas e o nu acaba sendo uma consequência do ato dessas pessoas. Hoje qualquer menina com curvas pode fazer sucesso nas redes sociais, apenas mostrando seus atributos físicos em fotos sensuais, nuas ou até mesmo pornográficas. Antigamente tínhamos celebridades importantes posando para revistas masculinas, com caches altos, existia um glamour nisso tudo. Hoje em dia a mulher precisa apenas ser “gostosa” que recebe um convite para posar nua por um valor muito inferior do que antigamente, em alguns casos a própria modelo paga para revista, para fazer um ensaio fotográfico dela, porque ela é desconhecida e ela acha que uma capa de revista pode colocar ela dentro do mundo das celebridades. E isso sem esquecer também os mistérios do mundo da moda onde escutamos lendas do tipo teste do sofá e bla bla bla.. Em resumo o nu esta banalizando porque as pessoas estão cada dia mais banais.

 

O que é um ensaio perfeito?

Ensaio perfeito pra mim é aquele onde possamos juntar uma equipe de qualidade onde todos estão envolvidos dos pés a cabeça dentro do projeto. Problemas externos como tempo, locação, figurino ou qualquer outra coisa que possa atrapalhar, existe e existe muito. Rs mas se a equipes estiver focada, cumprimos nossa missão de fazer um ensaio maravilhoso independente de qualquer coisa externa que possa acontecer.

 

O que você pensa de homens que veem suas fotos apenas com apelo sexual?

Não é o público que quero atingir, como disse, as pessoas estão banais a cada dia que se passa. Por isso as pessoas não conhecem 1% do meu trabalho de nu ainda…

 

Sensual ou sexual qual a diferença pra você?

No sensual fantasiamos uma emoção, uma situação, produzimos algo lúdico para apimentar e deixar com que a cabeça de quem esta visualizando a foto pense e imagine a situação em si. O Sexual é aquilo, preto no branco, mete o dedo na buceta e goza.

 

Vi que você também Fotógrafa homens, como é o mercado nu masculino?

Pra mim é um mercado difícil, por conta do perfil que já trabalho. Já tentei entrar nesse mercado 3 vezes de formas diferentes e não tive sucesso. Mas por ser fotografo e pra mim fotografo não tem sexo e nem preconceitos, se o modelo for homem ou mulher, não importa. Eu tenho que mostrar meu trabalho e ponto final.

 

 

Você acreditava que seria um fotografo renomado como é hoje, sendo referência para muitos?

Não me vejo renomado e sendo referência para muitos ainda, mas estou buscando isso dia após dia..

 

Na sua visão, quais são as regras básicas para se fotografar modelos nuas?

Aprenda que um fotógrafo não tem sexo. Quebre tabus.

 

Jogo rápido:

4 fotógrafos nacionais: Guilherme Bertoncini | Sebastião Salgado | Mauricio Daher | Samuel Melim

4 fotógrafos internacionais: Jr Duran | Mike Ohrangu Tang | Henri Cartier Bresson | Bob Wolfenson

Uma música: Tranquilona – Banda Summer Sessions

Fotografar: Tesão

Nu: Êxtase da fotografia

Ser fotógrafo: Congelamos o tempo, quer poder melhor do que esse ?

Um aprendizado: Respeito a todos acima de qualquer coisa no mundo.

Família: Sem ela, não seria nada nem ninguém

Uma modelo sua (Quina de sinuca tem que escolher hahaha): Natáli Ayumi

Uma frase: Missão dada, é missão cumprida.

 

Jornalista, Pós graduada em Comunicação Empresarial e Institucional, Pós graduada em Jornalismo Digital, Pós graduação em Jornalismo Contemporâneo e Mestre em Comunicação. Diretora da Projeta Comunicação Integrada. Foi editora chefe em uma Agência de Comunicação, responsável pelo conteúdo de jornais internos e de e-mail marketing. Foi professora universitária do Centro Universitário Nove de Julho (UNINOVE). Acumula mais de 14 anos de experiência em assessoria de comunicação. É responsável pelo site Arrasa, gata!, um portal de beleza e é apresentadora do Programa Estressadas, um programa de comportamento feminino.

Samantha Feehily

Jornalista, Pós graduada em Comunicação Empresarial e Institucional, Pós graduada em Jornalismo Digital, Pós graduação em Jornalismo Contemporâneo e Mestre em Comunicação. Diretora da Projeta Comunicação Integrada. Foi editora chefe em uma Agência de Comunicação, responsável pelo conteúdo de jornais internos e de e-mail marketing. Foi professora universitária do Centro Universitário Nove de Julho (UNINOVE). Acumula mais de 14 anos de experiência em assessoria de comunicação. É responsável pelo site Arrasa, gata!, um portal de beleza e é apresentadora do Programa Estressadas, um programa de comportamento feminino.