Entrevista com o fotógrafo Ricardo Zanetta

 

Ricardo Zanetta

Acredito que a fotografia é a profissão da minha vida. É um sopro de luz e alegria toda vez que vejo os olhos das pessoas admirando minhas fotos. Sou um fotógrafo, como tantos outros, que ama muito esta arte e que vê na fotografia, um espaço para mostrar a “luz” não observada normalmente. Um lugar para acalmar as ansiedades e suspirar em devaneios visuais.

Aos 57 anos, seu estilo preferido é fotografia de pessoas, e apenas 4 anos ele é profissional.

Nos estamos falando de Ricardo Zanetta, conceituado fotógrafo de Florianópolis – SC.

Uma Olympus OM10, ano de 1983, qual era o seu sentimento em relação a fotografia nessa época?

Ricardo Zanetta – Foto

Nesta época eu via muitas fotos de natureza lindas, pôr do sol maravilhosos e com uma câmera “portátil” não conseguia tais resultados. Foi quando descobri alguém vendendo uma máquina usada: uma Olympus OM10. Com esta câmera totalmente manual, tive que ler muito para entender para que servia e como deveria ser usado todos aqueles controles. Eu sempre fui autodidata, nunca fiz um curso de fotografia. Tudo que sei foi por esforço próprio e sempre no lema – tentativa e erro. Desde então a magia da fotografia foi me envolvendo cada vez mais, mas sempre para mim; só fotografava para mim. Todo final de semana gastava de um a três rolos de filme de 36 poses.

 

Como a arte fotográfica era tratada no Brasil nestes anos em que você deu seus primeiros e tímidos passos?

Ricardo Zanetta – Foto

Lembro que eu só via fotos de casamentos, aniversários e de natureza. Neste período o que mais me encantava era natureza, não gostava de fotografar pessoas porque via elas muito artificiais nas fotos, mas entre família sempre pediam para fazer uns retratos. Como não havia internet, a forma de ver o trabalho dos outros era ficar amigo dos laboratoristas que revelavam os filmes, para ficar observando o trabalho dos fotógrafos profissionais. Tentando talvez encontrar alguma referência a seguir… mas nada achava. Gostava mais das fotos de pessoas comuns que fotografavam os ambientes durante o fim de semana. Portanto, só conheci trabalhos bons em exposições fotográficas que apareciam vez por outra.

 

Como você compara a mudança das tecnologias Analógicas para Digital?

Eu fui uma pessoa contra esta mudança.  Eu acreditava muito que a verdadeira arte estava em saber realizar a fotografia desejada apenas com o conhecimento adquirido com as experiências de inúmeros rolos de filmes. Em agosto de 2004 fiz minha inscrição no site olhares.sapo.pt e nesta época fazíamos muitas discussões a respeito desta mudança. Fui arredio até obter minha primeira câmera digital. O cartão cabia 10 fotos que para baixar para o computador levava quase 20min. Continuei muito tempo com câmera analógica até 2013 quando comprei minha primeira canon DSLR digital; mesma que uso até hoje. Esta mudança, de certa forma, deu uma movimentada no mundo da fotografia de uma maneira espetacular. Pensei que seria muito mais barato, pois não teríamos mais o custo dos filmes e impressões. Como nos enganamos. Hoje o investimento para entrar no mercado é muito grande: Equipamentos diversos, computadores cada vez mais poderosos, cursos e mais cursos de edições e muitas horas de trabalho que antes ficava só na mão do laboratorista.

Ricardo Zanetta – Foto

Muitos fotógrafos têm experimentado o caminho inverso, qual sua visão sobre este tema?

Saudosismo para quem viveu e uma busca pela história para os novos que só conheceram o mundo digital. Muito bom como experiência e também para valorizar a arte antiga como uma opção de mercado. Válida mas acredito que é mais para conhecimento mesmo. Não há mais volta realmente.

Quem era o Ricardo antes da fotografia como profissão? O que fazia e o que movia seus sentimentos?

Eu trabalhei sempre com vendas. Comecei na Listel, depois Xerox do Brasil e parei no comércio de veículos em uma concessionaria Fiat, ficando por 23 anos neste seguimento. Sempre gostando do que fazia…, mas não fazia o que realmente gostava. Realizei por um tempo o esporte de voo livre, mergulho autônomo e muitas trilhas e acampamentos. Eternamente apaixonado pela natureza e seus mistérios.

Ricardo Zanetta – Foto

Quais os pontos básicos que você nunca deixa de observar em um local antes de fotografar? O que é primordial aos seus olhos?

O principal para mim no ambiente é a luz. Observo de onde vem a luz e estudo rapidamente como tornar o ambiente mágico no pós-produção. Chego a visualizar a foto pronta, mas isso só se consegue com o tempo. Aos meus olhos após colocar uma pessoa neste ambiente, é torna-la integrada ao mesmo. Acho muito fria as fotos que conseguimos perceber que a modelo não está à vontade, como se estivesse deslocada. Sabemos também que a foto que nos agrada aos olhos é aquela que queremos vê-la de novo.

Quando você se depara com uma cliente que nunca esteve na frente das câmeras e não está se sentindo bem, quais passos você toma para contornar esta situação?

Este é um problema que realmente não tenho. Procuro conversar antes com elas…deixo aberto para que entrem em contato com quem já fotografei para que construam uma confiança antes mesmo do primeiro clique. No local que será realizado o ensaio, idealizo a situação e deixo que ela viva o ambiente. Após os primeiros cliques chamo para ver algumas fotos, isso a deixa bem tranquila quanto ao que espera de resultado e o ensaio flui tranquilamente.

 Jogo rápido:

4 fotógrafos:  Jake Olson, Sean Archer, Ingo Kremmel e Evyenia Karapolous

Uma música: Acho que melhor uma Banda: Pink Floyd.

1 cd: Crime of the Century (Supertramp)

Florianópolis: Um lugar mágico que me inspira dia a dia.

Fotografia: Hoje consigo perceber que meu sangue é feito de imagens

Família: Sempre nosso porto seguro

Nu: Beleza maior e inspiração da humanidade; do passado ao futuro sempre que focado na arte.

Mulher: É e sempre será o eixo da humanidade.

Brasil: Um lugar maravilhoso para se viver, graças aos brasileiros mesmos. Nós sabemos amar, abraçar, dar carinho e conviver com tantas adversidades e ainda sorrir. Somos o que todos querem ser.

Arte: Meio que define uma sociedade, pois uma sociedade sem arte é uma sociedade sem cultura.

Uma frase: Falta de tempo é desculpa dos que perdem tempo por falta de método.

 

Ricardo Zanetta – Foto

Arte x Nu, ainda é um tabu, o que pensas sobre este tema? O brasil ainda é um país atrasado sobre a arte?

Eterna discussão de sociedades por não se aceitarem como são. Todos somos iguais e a nudez nos acompanhará do nascimento até a morte …sempre. A confusão que fazem é com relação a analogia do nu com sexo, o que são coisas totalmente diferentes. Por isso minha fotografia é focada no nu artístico e na poesia dos corpos ao invés de retratar o sexy e muito menos o erótico.

“Cabelos em cor”, quando surgiu a ideia de criar um projeto focado em cabelos coloridos, e qual o intuito? Como funciona seu projeto?

O projeto “Cabelos em Cor”, tem como principal objetivo mostrar para a sociedade que cabelos pintados em cores vivas não significam rebeldia e muito menos querer “aparecer”…chamar a atenção. Cabelo colorido é alegria…beleza…plástica…vida. Com isso a minha proposta é retratar de forma linda pessoas com os cabelos pintados em cores diferentes dos naturais. No começo fui atrás de pessoas com estas características, agora elas que me procuram…e é sempre um prazer registrá-las.

 “Floresta Nua”, um dos lindos projetos, qual o intuito deste projeto? Como é a seleção das “Florestas”

Ricardo Zanetta – Foto

Que você fotografa, vide que a região anda perigosa….
A união da natureza com a mulher sempre nos remete a magia, a fantasia, aos sonhos mais puros e beleza verdadeira. Para mim, é na floresta que esta poesia se escreve ganhando corpo e alma. Olhar o resultado deste trabalho nos faz sempre suspirar…
NINFAS… nossas fadas sem asa, foi a minha verdadeira inspiração para este projeto. Após assistir a série Viking, vi cenários maravilhosos de mulheres ao natural em cachoeiras e córregos. Procurei referências de fotógrafos aqui no Brasil, mas não achei. Fui encontrar trabalhos russos e austríacos bem como eu imaginava. Este trabalho me surpreendeu pelo volume de mulheres que se identificaram com ele e pelos comentários recebidos dos homens…sempre admirando, nunca desejando.
As minhas escolhas por lugares, sempre é pela segurança da modelo…lugares em que podemos ficar mais à vontade…mais integrado na natureza. Não vejo que a região anda perigosa não…pelo menos nunca tive problemas quanto a isso, e espero que continue assim.

 

O projeto “Ruivas naturais”, envolve desde crianças a mulheres já adultas, como você faz sua seleção das modelos? Conte um pouco do projeto para nós:

Ricardo Zanetta – Foto

A cor ruiva dos cabelos tem encantado cada vez mais as mulheres, e muitas delas as copiam em sua tonalidade e cor. Muito comum alguém perguntar para uma ruiva natural se o cabelo é realmente natural. A cor avermelhada e o tom de pele das ruivas é algo que me encanta muito como fotógrafo. O objetivo deste projeto, é tão somente destacar estas verdadeiras ruivas que a todos encantam e inspiram. Ele surgiu quando eu percebi que deveria fazer algo diferente para poder ser percebido como fotógrafo neste mundo de milhares de colegas ocupando o mesmo espaço. O único critério para pertencer a ele é ser realmente ruivo natural e, para isso quando há dúvidas, solicito aos pais fotos de quando eram crianças. Este é meu primeiro projeto e levo ele sempre com muito carinho. Amo todos…ruivas e ruivos e pretendo fotografar muitos ainda.

 

Talvez seu projeto mais complexo, você pode nos contar o conceito de “Quatro elementos”  ?

Ricardo Zanetta – Foto

Este é o mais novo projeto em andamento. Nasceu em junho deste ano e o foco é fotografar a mulher nua no ambiente em que ela possui mais afinidade: Terra, Água, Fogo ou Ar. As fotos sempre mostrarão a pessoa nua (de preferência) integrada com o elemento de sua escolha em mais de 60% da imagem.
Os quatro elementos são os que nos dão vida e não conseguimos viver sem ele. Colocar a mulher, que é o centro de quase tudo no mundo fotográfico inserida nele, para mim é termos mais um elemento perfeitamente integrado aos quatro: A Mulher então passa a ser o nosso quinto elemento.

 

Como você lida com o tratamento de imagens? O que faz aos teus olhos uma imagem perfeita?

Hoje o tratamento de imagens é algo necessário no mundo digital. Não tem como fugir dele. As fotos que mais apreciamos tem sempre uma magia e um toque especial do fotógrafo.

Ricardo Zanetta – Foto

Para mim a perfeição não existe, pois depende do ponto de vista e da cultura de cada pessoa que vê a foto, mas o que me encanta mesmo é a carga emotiva que ela possa transmitir. Uma foto linda é aquela que te emociona, que faz você sorrir, suspirar e a olhar de novo.

 

Qual a sua definição por fotografia?

Combinação fantástica entre Luz e Sombra, pois sem essa união…nada veríamos.

 

Como você se vê daqui 10 anos na fotografia? Quais seus planos a curto prazo?

Daqui a 10 anos é como olhar o passado 50 anos traz, ou seja, evoluiremos o equivalente o que evoluímos em 50 anos no mundo da fotografia. Muita coisa vai mudar na tecnologia de imagens. Até lá gostaria de ser conhecido pelo meu trabalho. Hoje estou garimpando o meu espaço, o que não é fácil. Muitos fotógrafos fantásticos estão surgindo e com uma visão da fotografia muito diferente do que vemos hoje. Minha meta é conseguir acompanhar esta evolução estando sempre preparado para ela. Hoje aguardo apenas a nossa política monetária se resolver para que a procura por fotografia de qualidade volte ao consumo das pessoas. Enquanto isso fico sempre aprendendo cada vez mais e tentando passar para os mais novatos o pouco do que sei, porque sempre acreditei que conhecimento parado é conhecimento perdido.

 

Ricardo Zanetta – Foto

Já pensou em viajar pelo país fotografando?

Vejo muitos fotógrafos realizando isso, saindo de um canto, avisando que vai fotografar em tal cidade deixando a agenda aberta para ensaios. Acredito que demora um pouco para que isso aconteça. Sou muito novo neste mercado e não acredito que este é o momento para fazer isso. 2018 deverá ser o ano das mudanças e assim, quem sabe, eu possa viajar e passar o que sei para outros e também deixar mais pessoas felizes com o meu trabalho.

Contatos:
whatsapp:             48.9 9113 6130
Instagram:             @ricardozanetta
Facebook:             @Ricardo.C.Zanetta
Site:                       www.zanettafotografia.com.br

 

Considerações finais:

Considero Justa toda forma de amor (LS).

 

 

 

Cremo é Fundador do Portal Wonder Girls Tattoo e do Portal @CULTURAEMPESO. Formado em Redes para Computadores, é fotográfo e desenvolve websites. Página oficial no facebook: www.facebook.com/wondergirlstattoo Instagram: @wondergirlstattoo Perfil: fb.facebook.culturaempesobr

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