ENTREVISTA COM CLEBER SANTANA DA CIA DAS CAVEIRAS

 

 

 

 

 

Por: Magê Mariotto

 

 

O Portal WG esteve com o Cleber Santana, 38 anos, de São Paulo-Capital, dono da CIA DAS CAVEIRAS num bate papo onde ele nos contou sobre sua trajetória profissional e projetos futuros.

Confiram!

  1. Qual sua formação? Quais são suas principais influências?

Fiz dois anos de medicina veterinária, mas preferia ver mais os animais mortos e seus ossos do que as matérias ministradas no curso, foi então migrei para o curso de Taxidermia. Minhas influências, sem dúvidas, vem de fora, dos crânios de alces, cervos e outros animais de grande porte que encontramos nas gringas. Além disso, tenho um grande apreço pela cultura mexicana, principalmente pelo “dia de los muertos”.  Sigo muitos taxidermistas internacionais no instagram, no Brasil a arte é pouco divulgado, além do pré conceito que ainda temos por se tratar de animais mortos.

  1. Como foi inicio da sua carreira até montar a galeria e desenvolver esse estilo?

Comecei por hobby, eu colecionava crânios de animais que encontrava em nosso sítio desde minha infância. Além de crânios tinha cobras em vidros com álcool.

Um dia eu viajei e meu pai jogou tudo fora. Fiquei irado e voltei a colecionar ainda com mais intensidade. Depois de algum tempo eu comecei a fazer a extração dos crânios em animais de amigos. Os animais morriam e eles me procuravam para fazer o crânio como um objeto de decoração e estima. Foi assim que comecei a produção. Depois de formado comecei a comprar de criatórios credenciados pelo IBAMA, com nota fiscal e Certificado de Origem.

  1. Antes, trabalhava com gesso e resina, e depois surgiu sua paixão por taxidermia? Pode explicar para o leitor rapidamente o procedimento?

Ao contrário, comecei com a taxidermia e depois incluímos as caveiras em gesso e resina para uma produção mais “comercial”, dando mais visibilidade aos outros trabalhos. O procedimento da taxidermia (no nosso caso, que é somente crânios) é bem simples. Dentre as derivadas técnicas, cortamos a cabeça do animal após o abate, ainda fresca, e enterramos em uma caixa de decomposição, esperamos 60 dias (em média) e a natureza faz o todo trabalho de dissecação. Após isso, lavamos, esterilizamos e clareamos o crânio, bem como as partes como dentes e pequenos ossos internos. Depois é só montar e dar a arte como pintura e adornos em cada um.

  1. Como as pessoas reagem ao seu trabalho?

Como na maioria das vezes nossas exposições são para um público que já estão acostumados com caveiras e crânios, como moto clubes, exposições de carros, entre outros, eles reagem bem e elogiam bastante o trabalho. Claro que recebemos alguns comentários como: “Que nojo”, “Credo”, “Isso é coisa do Diabo”, mas reagimos sempre com muito bom humor gerando muitos risos.

  1. Quais espécies você já trabalhou? Qual te chamou mais atenção, ou fato curioso?

Trabalhei com várias espécies, jacarés, vacas, bois, coelhos, serpentes, lagartos, cães, gatos, cabras, bodes, os que sempre me chamam mais atenção são os que tem chifres enormes, estes são os meus preferidos. Um fato curioso é que algumas espécies, como as de jacarés, desmancham o crânio inteiro, temos que montar como um quebra-cabeça, e é um pouco trabalhoso para montar dente por dente, peça por peça.

  1. Quais implicações e cuidados com os crânios?

Os crânios feitos pela CIA DAS CAVEIRAS, sempre irão com certificado de origem, lacre do animal além de totalmente esterilizado, livre de qualquer bactéria e/ou vírus, por isso o único cuidado é: não manipular demais a peça, para não quebrar ou se ferir em algum dente ou chifre afiados.

  1. Já teve problemas por se tratar de animais de verdade? Como isso é resolvido atualmente?

Não, pois somos credenciados pelo IBAMA e possuímos Certificado Técnico Federal. Hoje a comercialização, posse, ou manipulação de um animal silvestre, e/ou protegido pelas leis Ambientais são crimes. Por isso temos todo o cuidado e precauções perante as leis.

  1. Que mensagem você acredita que esse tipo de trabalho passar sobre a vida e a morte?

A morte, para mim, é algo normal, temos somente essa certeza, de que um dia vamos morrer. Então porque não ver a morte com outros olhos e dar aos ossos nova forma de vida, imortalizando-os com uma produção artística? A final, “Morte é Vida!”.  

  1. Você comentou sobre expor seus trabalhos em convenções de tatuagem, como tem sido essa experiência?

O 6º Taubaté Tattoo Festival, foi a nossa primeira experiência em exposição em convenção de tatuagem, fizemos muitas outras exposições, mas sempre para outro publico, como moto clubes e encontros de carros antigos. A impressão que tivemos com a Taubaté Tattoo Festival, foi a melhor possível, vendemos algumas peças, fizemos boas amizades e principalmente, ganhamos visibilidade, o que para nós foi o fundamental.

  1. Como os organizadores chegam até você para confecção dos troféus?

Quando eu fiquei sabendo sobre a Taubaté Tattoo Festival, entrei em contato com o Fábio Alabarce, que até então não o conhecia, e prontamente fizemos uma parceria que deu muito certo. Mandei fotos de nossos trabalhos e ele adorou. Acabamos fazendo uma bela amizade, onde estamos com muitos planos futuros.

  1. Acredita que por ser um ambiente mais alternativo e com pessoas que realmente gostam de modificações e coisas diferentes, trará mais visibilidade para a galeria?

Não tenho dúvidas sobre isso, a convenção está nos rendendo bons frutos até hoje, temos muitos trabalhos encomendados e com isso a empresa só cresce. Tenho certeza que eventos deste tipo, só tem a acrescentar em nossos projetos, dando a visibilidade necessária.

  1. Comente sobre projetos futuros.

Bom, para 2018 estamos firmando novas parcerias com diversos fornecedores de crânios, teremos búfalos, jacarés, entre outros animais silvestres e exóticos (tudo isso regulamentado pelos órgãos competentes). Estamos também, em fase de criação de nossa grife, onde teremos roupas com nossos temas. Além de focar no crescimento de nosso canal no Youtube, onde começamos a postar vídeos semanalmente a partir de janeiro de 2018, inclusive tem um vídeo* sobre os troféus das Misses Wonder Girls Tattoo 2017 (rsrs).

Assistam:


 

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