Elogio X Assédio

Oi !

Pra inaugurar meu Diário Rabiscado, um relato rapidinho de uma coisa que aconteceu ontem e achei interessante.

Fui ao mercado, milagrosamente sozinha, já que meu marido está meio gripado e manhoso. Era cedo, antes das 20h, e fui do jeito que tava: largada, com um vestidão velho na altura do pé, sem pentear o cabelo ou qualquer vaidade. Só fui porque tinha que comprar pão.

Lá, familiarizada com o local e despreocupada com a vida, esperando na fila pra pegar queijo, um senhor entre seus  50 e 60 anos, me olha dos pés a cabeça, olha nos meus olhos e solta:

– Nossa, como você é bonita! – e continuou o caminho dele, e eu continuei na fila depois de soltar um “Obrigada” discreto saído por um meio sorriso.

Daí fiquei pensando… Tive um dia de cão, super cansativo, entre mil atividades domésticas seguidas (almoço, louças, levar cachorro pra passear, lavar roupa, estender, fazer lanche) e um monte de projetos e artes gráficas das convenções que organizo. Eu, assim como minha cabeça, estávamos uma completa bagunça. E, sinceramente, receber esse elogio desse senhor desconhecido, me deu um ânimo e uma satisfação maiores do que eu previa.

Os dias são tão corridos que nem sempre temos tempo ou paciência pra nos olharmos no espelho e percebermos o quanto somos bonitas: seja por dentro ou por fora.

Mesmo que o elogio possa ter tido 500 intenções sórdidas escondidas, que outra visão enquadraria o cara como um “velho tarado e nojento”, que algumas achem que foi um “assédio porque homem acha que tem o direito de fazer isso com qualquer mulher”,  naquele momento, onde eu era só uma dona de casa cansada demais pra me preocupar com aparência, esse simples elogio me fez lembrar que conseguimos fazer mil coisas ao mesmo tempo e ainda assim, não perder a beleza.  Fiquei feliz.

Não que eu precise de elogios de homens ou mulheres ou seja lá de quem for, mas sinceramente? Me fez um bem danado e fiquei orgulhosa de enfrentar bem a porra do meu dia.

Tatuadora, modelo, mãe de cachorro <3 Conservadora, casada e tradicional. Liberdade não é libertinagem, e o meu direito termina onde começa o do outro. Respeito, sempre respeito!

Aritanna Varney

Tatuadora, modelo, mãe de cachorro <3 Conservadora, casada e tradicional. Liberdade não é libertinagem, e o meu direito termina onde começa o do outro. Respeito, sempre respeito!